
[Apodi Agora]
O prenúncio de que a quadra chuvosa de 2009 possa ser 40% maior do que a que se observou em 2008, pode estimular habitantes do Vale do Açu e do Vale do Apodi ao êxodo, motivado pelo risco de inundações.
Mais atingida pelas inundações no ano passado, tendo mais de 95% de seu território comprometido pelas enchentes, a cidade de Ipanguaçu já se constitui em objeto de preocupação para moradores.
Muitos deles já admitem a hipótese de deixar a cidade na tentativa de não repetir a experiência vivida em 2008 e procuram áreas fora de risco.
As cidades do Assú e Itajá se configuram como destino certo para boa parte dos moradores ipanguaçuenses que já articulam a locação de imóveis para o encaminhamento de mudanças.
A aflição de uma expressiva parcela dos habitantes é compartilhada pelo prefeito Leonardo Oliveira (PT).
O chefe do Executivo reconhece que se realmente vierem a se confirmar os prognósticos climatológicos, Ipanguaçu poderá enfrentar um novo quadro de calamidade pública com proporções bem maiores do que a que existiu no ano anterior.
Leonardo Oliveira admite que este cenário pode se repetir porque algumas ações que poderiam ter sido feitas para atenuar esta expectativa não se concretizaram até aqui. Uma delas, a desobstrução do leito do rio Pataxó.
Na região do Apodi a preocupação é similar.
Cidades como Apodi e Felipe Guerra que sofrem com o impacto das cheias provocadas pelo rio Apodi/Mossoró já trabalham com a possibilidade de repetição do quadro registrado em 2008.
"Há um ano acompanhamos um cenário de caos e nada de prático foi feito para coibir a repetição do problema na região do Vale do Apodi. Agora é preciso pelo menos que se faça um mapeamento e se garanta um treinamento para que as comunidades possam ser evacuadas com rapidez em caso de urgência", destaca Francisco Valdivino, presidente da Associação de Desenvolvimento do Vale do Apodi.
Com a manutenção das chuvas em praticamente todo o Estado. A preocupação é crescente nas áreas de risco situadas nas imediações dos Vales do Apodi e Açu.
Grandes reservatórios estão prestes a sangrar
Para se ter uma ideia da dimensão do atual cenário, no mesmo período do ano passado faltavam cerca de 12 metros para que a sangria fosse alcançada.
O Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) monitora a evolução diariamente, fato que tem identificado a evolução no quadro de cheia do reservatório, antes mesmo da sangria do açude Coremas.
Situado na Paraíba, o açude impede a aceleração no processo de cheia com retenção de boa parte das águas da bacia hidrográfica em solo paraibano.
Por sua vez, o açude público de Pataxó, que deságua dentro do rio homônimo, apresenta-se com cota de 80%.
A situação do Apodi é ainda mais grave.
O segundo maior reservatório do Estado, a Barragem de Santa Cruz, está a apenas 90 centímetros de sua terceira sangria.
Com estes reservatórios situados num plano estratégico para as duas regiões do Vale, a antecipação da sangria se configura como uma ameaça cada dia maior, que poderá render prejuízos ainda incomensuráveis às duas regiões.










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